Americano é condenado por duplo homicídio em caso que envolveu babá brasileira nos EUA

O ex-agente da Receita Federal dos Estados Unidos Brendan Banfield foi condenado por um júri popular no estado da Virgínia pelo assassinato da esposa, Christine Banfield, e de Joseph Ryan.
A Justiça concluiu que os crimes foram premeditados e cometidos como parte de um plano elaborado para simular um ataque de um suposto invasor.
Os crimes pelos quais Banfield foi condenado incluem dois homicídios em primeiro grau, uso de arma de fogo na prática de crime violento e colocar uma criança em situação de risco, já que a filha do casal, de quatro anos, estava dentro da casa no momento dos assassinatos.
O júri rejeitou integralmente a tese de legítima defesa apresentada pela defesa.
De acordo com a legislação da Virgínia, Banfield pode ser condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
A sentença será definida pelo juiz em audiência posterior, e a promotoria informou que pedirá a pena máxima devido à premeditação e à gravidade do caso.
Os assassinatos ocorreram em 24 de fevereiro de 2023, na residência da família em Herndon, no condado de Fairfax. Christine Banfield foi morta com múltiplas facadas dentro da casa, enquanto Joseph Ryan foi morto a tiros no quarto principal do imóvel. A filha do casal foi encontrada ilesa no porão.
Em depoimento inicial à polícia, Banfield afirmou ter encontrado Ryan atacando sua esposa e que teria reagido atirando contra o homem. A babá da família, a brasileira Juliana Peres Magalhães, corroborou essa versão em um primeiro momento.
As autoridades, no entanto, identificaram inconsistências no relato. A investigação apontou que Banfield mantinha um relacionamento extraconjugal com a babá e que os dois teriam criado um perfil falso na internet, atribuído à esposa, para atrair Joseph Ryan até a residência. Segundo a promotoria, Ryan foi levado ao local sob a falsa promessa de um encontro e acabou vítima de uma emboscada.
Ainda de acordo com a acusação, o plano previa a morte de Christine Banfield e a eliminação de Ryan para evitar testemunhas, com o objetivo de encenar um crime de legítima defesa. A cena foi montada para simular um ataque de um invasor.
Juliana Peres Magalhães firmou um acordo judicial, declarou-se culpada por homicídio culposo e colaborou com as investigações, prestando depoimento contra Banfield. Seu testemunho foi considerado determinante para a condenação.
Após semanas de julgamento, o júri concluiu que os assassinatos foram deliberadamente planejados. O caso teve ampla repercussão internacional por envolver um ex-agente federal, uma babá estrangeira e o uso de manipulação digital para atrair uma das vítimas ao local do crime.
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