Confiança do consumidor nos EUA despenca ao menor nível desde 2014

Alta no preço de gasolina e alimentos, incerteza política e medo de estagnação do mercado de trabalho derrubam o humor dos americanos
A confiança do consumidor nos Estados Unidos caiu para o nível mais baixo em mais de uma década, acendendo um alerta sobre a percepção da população em relação à economia. Segundo dados divulgados pelo The Conference Board, o índice que mede o grau de otimismo dos americanos recuou para 84,5 pontos, o pior resultado desde 2014 e abaixo das expectativas de economistas.
A queda reflete um aumento generalizado do pessimismo entre consumidores, que relatam dificuldade crescente para lidar com o custo de vida, especialmente com os preços de gasolina e alimentos, que continuam pressionando os orçamentos familiares. De acordo com o Conference Board, esses dois itens foram os mais citados espontaneamente pelos entrevistados como fatores de preocupação econômica.
Além da inflação persistente em itens essenciais, o levantamento mostra que menções a política, mercado de trabalho e custos com planos de saúde aumentaram em relação à última pesquisa. O resultado indica que o descontentamento não está restrito apenas ao bolso, mas também ao ambiente político e às perspectivas de estabilidade econômica no médio prazo.
O índice de confiança do consumidor é considerado um termômetro importante da economia americana, porque influencia diretamente decisões de consumo, como compras de bens duráveis, investimentos pessoais e disposição para assumir dívidas. Uma leitura abaixo de 100 pontos já sinaliza mais pessimismo do que otimismo, e o patamar atual reforça a percepção de que os consumidores estão cada vez mais cautelosos.
Analistas destacam que o cenário é agravado pela expectativa de pouco dinamismo no mercado de trabalho em 2026. Segundo projeções citadas pela Bloomberg, especialistas avaliam que o emprego deve permanecer estagnado, sem criação significativa de vagas nem avanços expressivos nos salários reais. Isso reduz a confiança das famílias de que a situação financeira possa melhorar no curto prazo.
Mesmo com indicadores oficiais apontando resiliência da economia americana em alguns setores, o sentimento do consumidor revela uma desconexão entre os dados macroeconômicos e a experiência cotidiana da população. Para muitos americanos, o custo elevado de produtos básicos e a incerteza sobre emprego e renda pesam mais do que números positivos divulgados pelo governo.
Economistas alertam que uma confiança persistentemente baixa pode ter efeitos diretos sobre o crescimento econômico, já que consumidores inseguros tendem a reduzir gastos, afetando setores como varejo, serviços e indústria. O movimento também aumenta a pressão sobre autoridades econômicas e o governo, especialmente em um ano marcado por disputas políticas e debates sobre inflação, juros e políticas sociais.
O novo recuo do índice reforça a percepção de que, para grande parte da população, a economia dos Estados Unidos não transmite sensação de segurança, mesmo após anos de recuperação pós-pandemia.
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