O dilema de Trump na Venezuela e a lei Magnitsky

Apenas os mais ingênuos acreditam que os ataques mortais americanos às embarcações venezuelanas, sem ser em legítima defesa, ocorre em nome do combate às drogas. Isso não faz o menor sentido, uma vez que a Venezuela não se encontra entre os maiores exportadores de drogas para os EUA. Além disso, o grande problema de entorpecentes americano é o fentanil, produzido no México, com matérias-primas chinesas utilizadas para diversos fins, inclusive para fabricação de opioides sintéticos.
Isso posto, os ataques às embarcações em mares venezuelanos só têm um propósito: criar uma narrativa que legitime uma ação militar americana para a derrubada do ditador Nicolás Maduro.
O problema é que possivelmente Trump entendeu que a demonstração de força americana em águas venezuelanas seria suficiente para uma renúncia de Maduro, o que não ocorreu.
Agora, Trump tem um dilema. Se ele avançar com uma guerra, vai desagradar sua base do MAGA, e provavelmente perderá as eleições midterms. Caso isso ocorra, Trump terá dificuldade de governabilidade e passará os próximos 2 anos defendendo o seu mandato, inclusive contra pedidos de impeachment protocolados pelos democratas.
Por outro lado, se o presidente dos EUA recuar, comprará uma briga com alas do partido democrata e os neocons, pró guerra. Além disso, a operação até agora foi muito custosa financeiramente. Portanto, voltar atrás será também um desperdício de dinheiro de difícil justificativa para o povo americano.
O melhor para Trump seria uma renúncia de Maduro. Talvez tenha sido esse o preço da revogação da Lei Magnitsky: Lula ajudaria a convencer Maduro a renunciar e ofereceria asilo ao ditador no Brasil.
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