PGR pede a condenação dos cinco acusados de mandar matar Marielle e Anderson

Durante o julgamento do caso na Primeira Turma do STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu, nesta terça-feira (24), a condenação dos cinco acusados de mandar matar Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. O órgão afirmou ter provas contundentes que confirmam a participação direta dos irmãos Brazão no assassinato da vereadora Marielle Franco.
O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, detalhou como a atuação política da parlamentar contrariou os interesses financeiros e territoriais de uma organização criminosa na zona oeste do Rio de Janeiro.
Segundo a acusação, os irmãos Brazão lideravam um grupo criminoso focado na ocupação ilegal e venda de terras, prática conhecida como grilagem. Marielle passou a ser vista como um risco aos negócios da quadrilha por realizar reuniões frequentes nas áreas dominadas pela milícia.
A PGR revelou que a vereadora não era o objetivo inicial do grupo criminoso. O alvo preferencial dos milicianos era o ex-deputado federal e atual presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PSOL-RJ).
No entanto, a intensificação da presença de Marielle nas áreas de milícia e os constantes embates políticos com o PSOL fizeram com que os irmãos Brazão mudassem o foco. “Fartos dos confrontos (…), os irmãos Brazão decidiram pelo homicídio de Marielle Franco”, afirmou a procuradoria.
Chateaubriand explicou como a vereadora atrapalhava o esquema criminoso. Marielle atuava em duas frentes que prejudicavam os irmãos Brazão:
- No território: ela ameaçava os chamados “currais eleitorais” da família ao apresentar propostas de regularização fundiária (legalização de moradias) que destruíam o modelo de lucro da milícia baseado na grilagem;
- Na política: a vereadora impunha obstáculos legislativos, dificultando a aprovação de projetos de lei na Câmara Municipal que beneficiavam os interesses dos criminosos;
Para a PGR, a investigação atual é sólida. O vice-procurador-geral destacou que os relatos feitos pelo ex-policial militar Ronnie Lessa — assassino confesso de Marielle e delator do caso — foram “amplamente demonstrados” pelas provas recolhidas pelos investigadores, não deixando dúvidas sobre a motivação e a autoria intelectual do crime.
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