Se o governo colaborasse, a Selic cairia muito mais

Feb 4, 2026 - 00:00
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Se o governo colaborasse, a Selic cairia muito mais

Hoje saiu a tão esperada Ata do Copom, documento que justifica a decisão sobre a taxa Selic. Havia grande expectativa do mercado de que o Banco Central desse alguma pista sobre o tamanho do corte da taxa básica de juros para a próxima reunião, o que não ocorreu.

O Copom (Comitê de Política Monetária) apenas “contratou um corte”, sem indicar se será de 0,25 p.p. ou 0,50 p.p. Apenas mencionou que vai esperar mais dados para a tomada de decisão.

Por um lado, há motivos para crer que o corte será de 0,50 p.p., como o desaquecimento da economia, e o arrefecimento da inflação corrente e das expectativas de inflação. Por outro, há argumentos mais favoráveis para uma redução de apenas 0,25 p.p, tais como o aquecimento do mercado de trabalho e as projeções de inflação se encontrarem ainda acima da meta, embora estejam em processo de desaceleração.

Sem dúvida, há bons motivos para um corte mais modesto (0,25 p.p.), como também para um mais agressivo (0,50 p.p). No entanto, se o governo fizesse a sua parte cortando gastos, a dúvida do mercado não seria se a Selic iria para 14,75% a.a. ou 14,50% a.a, mas talvez para baixo de 10% a.a. De outro modo, se houvesse controle fiscal pelo Tesouro, a Selic não estaria neste patamar, e a discussão seria outra.

O corte de gastos traz dois ganhos: não gera pressões de demanda, reduzindo o risco inflacionário, e potencializa a política monetária, tornado a redução da inflação muito mais sensível aos aumentos da Selic. Em outras palavras, com corte de despesas públicas, não seria necessária uma Selic tão alta para conter a alta dos preços.
Infelizmente, o governo não entende este conceito ou evita este esforço. Claro, é mais fácil culpar o Banco Central.

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