Trump diz que segundo piloto resgatado no Irã está ‘gravemente ferido’

Abr 5, 2026 - 10:00
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Trump diz que segundo piloto resgatado no Irã está ‘gravemente ferido’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou neste domingo (5) que o segundo piloto do caça F-15 abatido no Irã está “gravemente ferido”. A condição de saúde do militar foi confirmada pelo republicano, por meio de uma publicação na Truth Social.

“Resgatamos o tripulante/oficial do F-15, gravemente ferido e extremamente corajoso, das profundezas das montanhas do Irã. As Forças Armadas iranianas estavam em busca dele com grande efetivo e se aproximando. Ele é um coronel muito respeitado”, publicou Trump.

O oficial, que possui patente de coronel, foi retirado das montanhas do território iraniano. Segundo Trump, tropas do Irã realizavam buscas na região e se aproximavam do local no momento da operação de extração dos Estados Unidos. O presidente afirmou que incursões com esse perfil ocorrem com pouca frequência em virtude do risco de perdas humanas e materiais.

Essa foi a segunda operação de resgate dos ocupantes da aeronave. A missão anterior localizou e retirou o primeiro piloto durante o dia, após o caça voar no espaço aéreo do Irã por sete horas.

O governo dos Estados Unidos agendou uma coletiva de imprensa em conjunto com representantes das Forças Armadas. O pronunciamento ocorrerá no Salão Oval da Casa Branca, nesta segunda-feira (6), às 13h.

Resgate do segundo piloto

Mais cedo neste domingo, Trump classificou a missão que resgatou o segundo piloto abatido em território iraniano como “uma das mais ousadas operações de busca e resgate da história dos Estados Unidos”.

A declaração foi feita no mesmo dia em que o Irã lançou mísseis e drones contra BahreinIsraelKuwait e Abu Dhabi — e apenas um dia depois de Trump ter dado à República Islâmica um prazo de 48 horas para fechar um acordo ou enfrentar “o inferno”.

“Este bravo guerreiro estava atrás das linhas inimigas, nas traiçoeiras montanhas do Irã, sendo caçado por nossos adversários”, escreveu Trump no Truth Social. “Ele sofreu ferimentos, mas ficará bem. Esta milagrosa operação de busca e resgate soma-se ao resgate bem-sucedido de outro piloto corajoso realizado ontem, que não confirmamos publicamente para não comprometer a segunda missão.”

A mídia iraniana informou que cinco pessoas morreram durante a operação de resgate americana. O Irã sustenta que suas forças abateram o avião, versão também veiculada pela imprensa dos EUA, embora o governo americano não tenha confirmado publicamente o abate.

A guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã, já se espalhou por todo o Oriente Médio e abalou a economia global. Teerã praticamente bloqueou o Estreito de Ormuz, via crucial para o transporte de petróleo e gás, e mantém uma campanha de ataques contra Israel e os países do Golfo.

Em retaliação, os bombardeios americano-israelenses atingiram alvos econômicos estratégicos do Irã. No sábado (4), um ataque a um polo petroquímico no sudoeste do país matou cinco pessoas, segundo o vice-governador da província de Khuzistão.

‘O tempo está se esgotando’

No sábado, Trump havia escrito no Truth Social, referindo-se ao ultimato dado em 26 de março: “Lembram-se de quando dei ao Irã dez dias para FAZER UM ACORDO ou ABRIR O ESTREITO DE ORMUZ? O tempo está se esgotando — 48 horas antes que o inferno se abata sobre eles.”

O comando militar central iraniano rejeitou a ameaça. O general Ali Abdollahi Aliabadi classificou a declaração de Trump como “uma ação desesperadanervosadesequilibrada e estúpida” e advertiu, em tom semelhante: “Os portões do inferno se abrirão para vocês”.

O Paquistão se ofereceu para mediar o fim do conflito. Segundo a mídia iraniana, o ministro das Relações Exteriores paquistanês conversou por telefone com seu homólogo iraniano no sábado. Apesar disso, não há qualquer sinal de redução da violência.

Um drone iraniano provocou incêndio em um tanque de armazenamento da estatal de energia do Bahrein, Bapco Energies. Outro incêndio se alastrou em uma instalação petroquímica de Abu Dhabi após a queda de destroços. No Líbano, o Hezbollah, aliado de Teerã, afirmou ter atingido um navio de guerra israelense com um míssil de cruzeiro na costa libanesa. Israel não confirmou o ataque.

O presidente libanês, Josef Aoun, voltou a pedir negociações com Israel para evitar que o sul do Líbano sofra destruição semelhante à vista em Gaza. Na vila de Debel, próxima à fronteira israelense, moradores se preparavam para o Domingo de Páscoa sob constante som de bombardeios. “A situação é trágica. As pessoas estão aterrorizadas. Não conseguimos dormir”, disse o residente Joseph Attieh à AFP. “Estamos depositando nossa confiança em Deus — é o único vislumbre de esperança que não vamos abandonar.”

Ameaça nuclear em Bushehr

No Irã, um ataque próximo à usina nuclear de Bushehr, no sábado, matou um guarda. A Rússia, responsável pela construção e operação da instalação, anunciou a evacuação de 198 trabalhadores e condenou o ataque como “um ato maligno”.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, alertou que novos ataques à usina — localizada na costa sul, bem mais próxima do Kuwait, Bahrein e Catar do que de Teerã — poderiam provocar precipitação radioativa capaz de “acabar com a vida nas capitais do Conselho de Cooperação do Golfo, não em Teerã”.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, informou no X que não foi detectado aumento de radiação no local, mas expressou “profunda preocupação”, classificando o episódio como o quarto ataque do tipo nas últimas semanas. O ex-diretor da agência, Mohamed El-Baradei, pediu aos governos do Golfo que impeçam Trump de transformar a região em “uma bola de fogo”.

Em meio ao conflito externo, o Irã intensificou a repressão interna. Semanas após sufocar uma grande onda de protestos antigovernamentais, o Judiciário anunciou a execução de dois homens condenados por supostamente agirem em nome de Israel e dos Estados Unidos. No domingo, o monitor NetBlocks informou que o bloqueio da internet no país se tornou o mais longo da história nacional.

*Com informações da AFP

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